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TROMBOSE VENOSA PROFUNDA E CIRURGIA PLÁSTICA – COMO PREVENIR?

A trombose venosa profunda é uma doença que afeta mais de 1 milhão de pacientes ao ano, de acordo com as estatísticas americanas e europeias.

Essa doença é gerada pela obstrução causada por coágulos nas veias profundas, e pode ocorrer em qualquer localização do corpo, sendo mais comum nas veias das pernas, coxas e pelve.

Além de causar sintomas muito desconfortáveis, e poder deixar sequelas devido a obstrução permanente das veias, a trombose venosa pode também causar a embolia pulmonar.

Esta ocorre quando o coágulo, ou trombo, presente dentro das veias se desprende e viaja até se alojar na circulação pulmonar, podendo gerar um quadro grave e até mesmo fatal, quando a embolia é maciça.

Sendo assim, é muito importante conhecer os fatores de risco para essa doença e preveni-la da melhor forma possível para diminuir a ocorrência desse quadro.

FATORES DE RISCO

O Brasil é o segundo país no ranking mundial de procedimentos em cirurgia plástica, e o primeiro quando consideramos o volume de cirurgias, com aproximadamente 1,5 milhão de cirurgias ao ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Com esse grande volume de cirurgias, e com a veiculação na mídia de casos fatais de trombose e embolia pulmonar, algumas questões são frequentemente levantadas pelos pacientes na consulta com o cirurgião plástico, como por exemplo: somente as cirurgias plásticas são causadoras de trombose? E de que forma podemos prevenir a ocorrência da trombose na cirurgia? Mantenho o uso de pílula anticoncepcional ou devo parar?

RESPONDENDO A ESSAS PERGUNTAS

Devemos ter em mente que a prevenção já começa no pré operatório, com a pesquisa de fatores de risco já presentes no histórico do paciente, e que qualquer procedimento cirúrgico aumenta o risco de trombose venosa e embolia pulmonar.

A grande maioria das cirurgias plásticas realizadas são classificadas como de baixo ou moderado risco para trombose, sendo maior com a realização de procedimentos combinados e de longa duração.

Além disso, a chance de trombose aumenta com a presença dos seguintes fatores: idade avançada, tabagismo, episódio prévio de trombose no passado, presença de varizes, diagnóstico de câncer em atividade, doenças genéticas que predispõem à tromboses (trombofilias), gravidez, uso de anticoncepcionais orais e de terapias de reposição hormonal, dentre outros.

ANTICONCEPCIONAIS

Em relação ao uso de anticoncepcionais, sabemos que o seu uso é responsável por aproximadamente 1/4 dos casos de trombose venosa em mulheres jovens, e esse risco aumenta quando associado a outros fatores, como as cirurgias.

Como o risco parece diminuir logo após a interrupção do uso, é comum solicitar ao paciente que pare de tomar o anticoncepcional 30 dias antes da cirurgia, não havendo porém consenso na literatura científica.

Por outro lado, também não há contra indicação formal ao uso de anticoncepcionais durante as cirurgias, sendo que a decisão de parar deve ser tomada pelo cirurgião, em conjunto com o paciente, pesando os riscos e benefícios para cada caso.

PREVENÇÃO

Como a melhor maneira de evitar a trombose é com prevenção, várias são as medidas tomadas para evitar a sua ocorrência.

A medida mais simples e eficaz é retornar a andar o mais cedo possível após a realização de uma cirurgia, sendo este o único método necessário em pacientes classificados com baixo risco para trombose venosa.

O uso de meias elásticas anti-trombo é outra medida simples e eficaz de ser adotada, e que pode ser aplicada para a maioria dos pacientes submetidos a cirurgia plástica.

O uso de aparelhos de compressão, método conhecido como compressão pneumática intermitente, também é outra excelente opção para prevenção de trombose, porém depende de ser aplicado corretamente pela equipe de enfermagem e ter seu uso disponível pelo hospital.

Além disso, quando o risco de trombose aumenta para moderado ou alto, devemos utilizar medicações para a prevenção, que podem ser aplicadas a critério médico.

Em último caso, em pacientes de muito alto risco realizamos a combinação dos métodos citados, como compressão pneumática ou meias elásticas + medicações.

Resumindo, considerando que a trombose e embolia pulmonar são as causas de morte mais “evitáveis” em pacientes internados e submetidos a cirurgias, o mais importante é que o paciente retire todas as dúvidas com o seu cirurgião, e que ambos conversem sobre a melhor estratégia de prevenção para cada caso.

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